terça-feira, 4 de setembro de 2007

O próximo capitulo


o proximo capitulo

Sair de casa foi fácil pois a mudança já estava preparada e a única coisa que precisou ser feita foi chamar o caminhão, que assim que chegou levou tudo o que ele tinha para o novo endereço.

Todas as mudanças por mais que sejam programadas são traumáticas e levam tempo para serem assimiladas pelo corpo e pela mente. O corpo sente o lugar estranho, o espaço, o ambiente e a mente demora a se acostumar com a nova realidade.

No primeiro mês, o necessário estava lá, notebook ligado na tomada, celular e uma geladeira para a cerveja. A comida ele comprava no bar da esquina e apesar da aparência e do gosto duvidoso ele conseguia engolir e se mantinha.

As madrugadas ele passava em claro, apenas escrevendo frenéticamente como um louco pois tinha um prazo a cumprir e um livro a entregar. Pela manhã ele dormia como uma criança e só acordava a tempo de comprar sua comida no bar da esquina. As segundas ele "saboreava" uma deliciosa salada de alface com tomate acompanhada de um bife acebolado com arroz e feijão.

Na terça era frango grelhado com salada de maionese e arroz com feijão; às quartas tinha dobradinha, na quinta cozido e na sexta a famosa feijoada. Ele não gostava de mocotó, por isso dispensava o almoço de sábado. O jantar diário era o de sempre, um sanduíche de pão de forma com queijo em um dia e presunto em outro para não enjoar.

O que ele adorava mesmo era comida japonesa, mas a falta de dinheiro o fazia se contentar com a "deliciosa" comida do bar da esquina. Um dia ele conheceu a Joana e ficou sabendo que na cozinha do bar da esquina os trabalhos começavam cedo pois o movimento era grande e que era ela a responsável pelo "variado" cardápio.

Cozinheira de "mão cheia" a Joana caprichava sempre no tempero de seus pratos e os clientes não tinham do que reclamar, exceto aqueles que não podiam comer sal em excesso, como ele. Mas pior do que a comida da Joana era o "podrão" que ele jantava de vez em quando na barraca de lanches da esquina.

Mais 5 meses de trabalho árduo e o livro estaria pronto para ser entregue ao revisor e de lá para a gráfica e da gráfica para as livrarias. O que ele mais queria era isso, terminar o bendito livro e dar um final decente para seus personagens, pois ele sempre escreveu seus romances com uma dose extra de açúcar e finais felizes. O desta vez falava da história de um policial aposentado que depois de anos decidia procurar seu antigo amor e desencavava histórias mal resolvidas do passado que ele tinha agora, a chance de resolver e dar um fim.

O livro era esperado por todos e cotado para ser o novo best-seller da editora, por isso ele trabalhava a noite toda ao som da Antena 1. A música o ajudava a relaxar a dava inspiração para que novos diálogos, cenas e fatos surgissem com mais facilidade em sua mente.

Mais um dia a luz acabou...

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